Pesquisa Clínica no Brasil


Em 2010 o Brasil tornou-se a oitava economia mundial. Outros países emergentes como China e Coréia do Sul vêm demonstrando também acelerado crescimento econômico, entretanto o desenvolvimento no campo da pesquisa clínica talvez seja o fato mais notável em tais países.

A pesquisa clínica no Brasil tem evoluído significativamente nos últimos 20 anos e, talvez, um dos principais marcos de tal evolução tenha sido a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que regulamentou a pesquisa em seres humanos. Ainda assim, nossos índices são inferiores aos de nossos pares. Anualmente, são de autoria de brasileiros cerca de 2,6% dos artigos publicados em revistas indexadas enquanto que chineses são responsáveis por 8,4%. Nas duas últimas décadas, tais números representam um aumento da ordem de 5 vezes na produção brasileira e de cerca de 60 vezes na produção chinesa. Quando avaliamos o numero de patentes, o panorama é semelhante. Atualmente figuramos em um tímido 23º lugar entre os países que mais registrara patentes, produção 10 vezes menor que China e Coréia do Sul.

No Brasil, a burocracia envolvida na pesquisa clínica e a falta de investimento não só governamental mas também privado são fatores limitantes para um maior avanço na área da ciência médica. Porém, o fato mais relevante talvez seja a questão do treinamento de pesquisadores, formamos percentualmente quase três vezes menos doutores que países como Coréia do Sul ou Estados Unidos. Além disso apenas 20% dos nossos doutores trabalham na indústria enquanto que, nestes outros países, mais da metade dos doutores trabalham com desenvolvimento de novos produtos.

Inovação e desenvolvimento econômico andam juntos. Políticas que estimulem o desenvolvimento científico e o registro de novas patentes são fundamentais para o crescimento de nosso país. Para tanto investimento financeiro para o custeio da pesquisa é essencial, mas de igual ou maior importância é o estímulo à educação de novos pesquisadores. É fundamental treinamento de massa crítica que possa executar ensaios clínicos nacionais e internacionais, que tenha visão crítica quanto à metodologia científica e que tenha noções de custo-efetividade.

Apenas assim acompanharemos nossos pares e teremos oportunidade de evoluir ainda mais.